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Arma química, Bolsonaro e o último 7 de Setembro de Sebastião como comandante das tropas

O último desfile cívico-militar do Dia da Independência tendo o governador Sebastião Viana (PT) como comandante-em-chefe das tropas acreanas teria tudo para acabar como uma solenidade bem organizada e dentro da normalidade, não fosse a atitude desastrosa de um de seus subordinados ao confundir uma bomba de gás lacrimogêneo com a que emite fumaça em cores.
O resultado foram cenas de correria e desespero entre as pessoas que assistiam ao desfile do Sete de Setembro. Mães correndo para proteger seus filhos, pessoas desmaiando e crianças em pânico sem saber o que de fato estava acontecendo. Tudo estava muito confuso até para os adultos.
Depois de algum tempo percebeu-se que compostos químicos haviam sido lançados no ar. A princípio falou-se em spray de pimenta, mas em seguida Sebastião Viana, em entrevista à imprensa, disse se tratar de gás lacrimogêneo.
“Há um forte entendimento técnico preliminar de que foi um acidente. Ao invés de puxar um tubo de fumaça com cores, saiu um tubo de gás lacrimogêneo”, disse o governador, que pediu desculpas pelo transtorno. De acordo com Sebastião, o ocorrido não era “previsível em lugar nenhum do mundo”.
Caso o tubo de gás lacrimogêneo não tivesse sido levado para a avenida num dia de celebração da Independência, certamente poderia ter sido evitado. As pessoas mais expostas aos riscos foram as que estavam encostadas nas grades e as sentadas nas arquibancadas, que no momento do pânico correram às pressas.
O gás lacrimogêneo é usado pelas forças policiais para dispersar distúrbios em manifestações civis. De acordo com sua definição na Wikipédia, seus compostos são considerados armas químicas e cuja proibição de uso já foi pedida por organizações internacionais de direitos humanos e agências especializadas.
“Classificado como arma química, o seu uso foi banido pela Convenção de Armas Químicas de 1993, considerando-se a letalidade do gás quando em alta concentração.” No entanto, o Estado, enquanto único detentor do uso da força, equipa suas polícias para “manter a lei e a ordem”.
Seu efeito imediato é causar cegueira temporária. Por isso, no momento do incidente, muitas pessoas tiveram como primeira atitude lavar a região dos olhos. o uso da água, contudo, não é recomendado por aumentar o efeito dos compostos químicos.
O gás foi usado no momento em que desfilava a banda de música do colégio militar da Polícia Militar, para causar um “efeito especial”. Minutos antes foram usados tubos de fumaça nas cores branca, azul e vermelha na apresentação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM. Como em outros desfiles, a tropa entra na avenida soltando tubos de fumaça de cores que deixa a tropa momentaneamente invisível. Ao invés de acender um semelhante após a saída do Bope, foi usado os componentes químicos.
Percebendo o erro que havia cometido, o policial manda um civil que assistia ao desfile levar para longe o gás. Ele então corre pela rua Rui Barbosa para afastá-lo da multidão, mas as consequências foram inevitáveis. O cidadão passou a ser o bode expiatório.
O próprio governador usou o microfone para pedir calma à população e pedir para que voltasse às arquibancadas para retomar o desfile. Acalmado os ânimos, tudo voltou ao normal.
Enquanto o desfile não era reorganizado, um dos pontos altos foi a entrada de um pai e seu filho aluno de um dos colégios militares. Usando a tradicional blusa preta com o rosto do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o homem desfilou com o filho pela avenida.
Conforme a reportagem apurou, o pai é policial militar e foi retirado da avenida pelos colegas de farda. Fora isso, o Dia da Independência não teve outras manifestações políticas em ano de eleições; apenas alguns cabos eleitorais distribuindo santinhos dos candidatos.
Se há um Sete de Setembro no Acre que entrará para a história, esse foi o de 2018. Não pelo fato de marcar o último de Sebastião Viana como o comandante-em chefe das tropas militares, mas pela atitude desastrosa de um de seus homens.
Fotos: Sérgio Vale