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“CPI dos transportes pode corrigir muitas distorções, o município investe no sistema, os empresários não dão retorno aos usuários”, Manuel Marcos, presidente da Câmara Municipal de Rio Branco

Filho de ‘marreteiro’, Manuel Marcos é natural da cidade de Tianguar (CE), onde morou pouco tempo, devido a profissão do pai, morou durante dez anos no Pará e aos 17 anos foi para Manaus, levando consigo o sonho da Zona Franca, o primeiro emprego e a independência.
Na Capital do Amazonas, Manuel Marcos casou e construiu uma família que já tem 25 anos. Depois de 16 anos foi para Boca do Acre e chegou em Rio Branco no ano de 2005. Nos 12 anos que fixou residência na Capital, o Pastor da Igreja Universal disputou quatro eleições, a primeira em 2008, quando teve pouco mais de 1.500 votos para vereador.
A insistência e o projeto da Igreja só deu certo em 2012, quando Manuel Marcos foi eleito vereador pela primeira vez, sendo reeleito em 2016. Ele não nega que a união dos irmãos tenha lhe ajudado a chegar à Câmara Municipal, mas afirma que a vontade de estar nas ruas e de pastorear contribuiu bastante.
“Eu não sou de estar muito em gabinete, gosto de fazer visitas, conversar, ajudar espiritualmente as pessoas, essa foi minha missão por tantos anos, como presidente da Câmara eu sinto muita falta dessa agenda”, destacou o vereador.
No dia em que concedeu a entrevista para a ContilNet o pastor estava com as mãos na massa, liderava sua equipe de gabinete na reforma de seu escritório político, situado na Avenida Marechal Deodoro, no Centro de Rio Branco, onde pretende desenvolver nas segundas e sexta-feira o que chama de “agenda do presidente”.
Além de falar sobre a sua história de vida, o vereador discutiu temas importantes, como a prisão do vereador Juruna, a CPI dos Transportes e a relação Política e Religião. Ele acredita que é possível ser pastor e vereador. Embora tenha citado exemplos bíblicos de líderes religiosos que se tornaram governadores, Manuel Marcos ainda não pensa em governar o Acre.
Vereador e presidente da Câmara Manuel Marcos/Foto: reprodução.
Prefeito interino durante três dias, o pastor e presidente da Câmara Municipal disse que os desafios de um gestor são grandes. “Eu admiro muito quem é prefeito de uma cidade como Rio Branco, com o tanto de problemas que existem”, destacou.
Marcos não acredita que a CPI dos Transportes Coletivos acabe em pizza, pelo contrário, disse que a Comissão tem uma oportunidade de corrigir grandes distorções do sistema, uma dela é a falta de investimento das empresas para os usuários. Foi pontual quando afirmou: “O poder público tem feito a sua parte, os empresários não”.
Veja na íntegra a entrevista do pastor e presidente da Câmara Municipal de Rio Branco concedida ao jornalista Jairo Carioca.
Jairo Carioca – Como foi chegar à presidência da Câmara Municipal já no segundo mandato. O senhor não era tão conhecido na Frente Popular, essa costura teve a participação do prefeito Marcus Alexandre?
Vereador Manuel Marcos (PRB) – O primeiro projeto era de reeleição. Isso foi muito bem planejado com a doutora Juliana e o Diego, que são do meu grupo político. Eu diria que contei com a confiança do prefeito. Após as eleições ele disse que nem PT e nem PSB seriam presidentes, estes partidos já tinham os cargos de prefeito e vice. Na renovação da Câmara Municipal sobrou eu pelo PRB. Foi quando a campanha ganhou corpo. Eu disse ao prefeito que se fosse da confiança dele e da Frente Popular eu gostaria de disputar o cargo. Assim começou a costura.
Jairo Carioca – O senhor precisou mesmo dos votos do PSDB? Por que trazer o vereador Clézio Moreira para vice-presidência?
Vereador Manuel Marcos (PRB) – O Clézio, a princípio, vinha com o voto dele e do colega de partido, o Célio Gadelha. O tucano aceitou o desafio e na composição com a vereadora Elzinha, do PDT, e os vereadores do PT, garantimos nove votos. Mas foi muito diálogo com todos os vereadores que acreditaram na gente.
Jairo Carioca – O senhor me dizia que sente falta de estar mais nas ruas, no corpo a corpo com o eleitor. Essa é a grande diferença entre ser simplesmente vereador e presidente da Casa?
Vereador Manuel Marcos (PRB) – Eu digo aos meus assessores que sonho com o dia em que vou chegar à Câmara Municipal e não assinar um papel. A burocracia é muito grande, a atenção tem que ser redobrada, temos um nome a zelar. Somente vereador temos mais tempo de estar nas ruas, por ser pastor eu gosto de fazer visitas. Para você ter uma ideia, eu fiz mais de mil indicações. Eu e minha equipe decidimos criar a agenda do presidente, para tentar corrigir isso. Vou tirar um tempo para visitar obras, hospitais, ficar mais próximo das bases.
Jairo Carioca – A Câmara Municipal tem pautado a política, tivemos o caso Juruna e a CPI dos Transportes Coletivos, como o senhor vê este momento?
Vereador Manuel Marcos (PRB) – É um momento importante. Eu tenho tomado a decisão de ser presidente de todos os 16 vereadores, sem ter lado, nem oposição e nem situação. Essa é uma linha que faz parte da minha essência. No caso da CPI dos Transportes, eu cumpri fielmente o regimento interno.
Jairo Carioca – Entretanto, vereador, desculpe lhe interromper, a CPI já tem 40 dias de instalada e não avançou muito.
Vereador Manuel Marcos (PRB) – Veja bem, se está havendo atraso primeiro, foi porque os dois vereadores do PSDB pediram mais tempo para analisar documentos. Depois tivemos a judicialização do processo por falta de entendimento na indicação de nomes das bancadas. A Mesa Diretora, atendendo o regimento, teve que legislar para ajustar os trabalhos. Foi o caso da indicação dos vereadores Emerson Jarude (PSL) e Roberto Duarte (PMDB). Mas tudo está amparado pelo setor jurídico da Casa.
Jairo Carioca – No caso do vereador Juruna, o senhor acredita que foi seguido o regimento interno da Casa? O vereador por duas vezes descumpriu ordens judiciais.
Vereador Manuel Marcos (PRB) – O PMB pediu a cassação do vereador e, baseado no parecer de nossa procuradoria, enviamos esse caso para o Conselho de Ética. Fora dessa seara, nós tomamos a atitude de não afastá-lo antes de ele ser julgado. Ele foi preso a primeira vez, ganhou liberdade, e agora veio a decisão do STF. Já pensou se tivéssemos tomado uma decisão diferente? Teríamos cometido uma injustiça! Quando tivemos que tomar uma atitude nós tomamos, ele foi afastado sem direito nenhum da estrutura de vereador.
Jairo Carioca – O senhor foi muito criticado por praticamente abraçar essa causa do Juruna. Na primeira prisão do Juruna, o senhor inclusive negociou a sua entrega à Justiça. Essa atitude o senhor tomou como Pastor ou como presidente da Câmara?
Vereador Manuel Marcos (PRB) – Como presidente da Casa. Eu dizia aos colegas que teria essa atitude com qualquer um que atravessasse um momento difícil como esse. Além de presidente eu sou amigo do Juruna, fiz questão de acompanhá-lo naquele momento de fazer o corpo delito e até o quartel. Essa situação foi muito difícil.
Jairo Carioca – Vereador, o senhor acredita que a CPI dos Transportes Coletivos termine em pizza?
Vereador Manuel Marcos (PRB) – Eu acredito que não. Se tiver irregularidades e tiver que punir as empresas, que punam. Quando você olha para dentro do poder público você vê investimentos, mas as empresas não dão retorno. Veja bem, elas já tiveram isenção de ISS. Não fizeram nada ainda, atenderam um pedido nosso de renovação de frota, quando eu ainda era presidente da Comissão de Transportes. Mas é muito pouco ainda.
Jairo Carioca – Mas vereador, os empresários alegam que estão falidos, que não têm dinheiro.
Vereador Manuel Marcos – Eu não acredito nessa possibilidade. Se estivessem falidos eles já tinham pego seus ônibus e ido embora daqui. Nenhum empresário trabalha com prejuízo. Tem como eles investirem melhor. Não pagam encargos trabalhistas, tem gente na Justiça que até hoje não recebeu dinheiro. Acredito que 90 dias vai ser muito pouco para os trabalhos da Comissão.
Jairo Carioca – O senhor é autor do projeto que institui o dia do Obreiro Universal, como vê essa relação de religião e política?
Vereador Manuel Marcos (PRB) – Eu sou pastor da Igreja Universal há 16 anos. Desde quando a Igreja me escolheu para estar na política eu me afastei da missão. Frequento, faço orações, mas é preciso separar as coisas. A Bíblia mostra a história de líderes como Moisés, que era líder de uma multidão de gente e acabou sendo governador deles. José se tornou governador, Daniel foi governador de Babilônia, Josué governador no Egito. Hoje o PRB tem a maioria dos deputados evangélicos, é possível conciliar. Política é política, religião é religião.
Jairo Carioca – O senhor acredita que a instituição Câmara Municipal está mais próxima do cidadão?
Vereador Manuel Marcos – Eu acredito que é possível se aproximar mais. Para isso vamos retomar as sessões itinerantes a partir deste mês de maio, vamos combinar isso com os demais pares, na tentativa de ouvir mais o cidadão e distribuir as demandas apresentadas com os demais poderes e instituições. A expectativa é muito grande e eu acredito.
Jairo Carioca – O rombo da Emurb, um assunto polêmico, qual será a postura da Câmara Municipal neste caso?
Vereador Manuel Marcos – A Justiça vai fazer o papel dela. Temos o Ministério Público investigando o caso, eu acredito que o Rigaud [presidente da Emurb] cumpre um papel muito importante de enxugar a empresa. Veja que ele saiu da lista tríplice para ser promotor do Tribunal Eleitoral e foi para a Emurb, onde chegou a ser chamado de Dr. Maldade. Ele não foi para a empresa para agradar ninguém, é técnico, não é político.