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Português acusado de tráfico de drogas volta a ser preso em terras de indígenas isolados

Nesta quarta-feira (12), o português Joaquim Antônio Custódio Fadista, de 65 anos, foi preso pela terceira vez na área da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, na fronteira com o Peru, uma das regiões mais isoladas do mundo, onde vivem índios de recente contato com a Funai.
Joaquim é natural de Lisboa e foi transferido da terra indígena para a delegacia da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul. O acusado foi preso por indígenas e pela equipe da Funai que atuam na área, no momento do flagrante ele estava sozinho e não resistiu à prisão. Uma equipe de saúde que também atua na área foi retirada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) por precaução e deve voltar assim que maiores investigações forem feitas e seja garantida a segurança no local.
O português é acusado de ser narcotraficante internacional e já foi condenado por tráfico de drogas no Maranhão e no Ceará, bem como em Luxemburgo, na Europa. Em agosto de 2011, foi preso na Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira em flagrante pela prática dos crimes de furto qualificado, reingresso de estrangeiro expulso e introdução clandestina de estrangeiro no Brasil.
Ainda em 2011, reapareceu acompanhado de outros homens armados com fuzis e metralhadoras. Fadista já havia sido preso também pelo pessoal da Funai na mesma área, em março de 2011, quando foi entregue às Polícias Civil e Federal.
À época, policias federais disseram que Fadista é muito fechado. Embora demonstrasse, não confirmou se tem curso superior. Ele carregava um saco nas costas, alguns trocados, além de uma banana e uma macaxeira. De acordo com o superintendente da Polícia Federal no Acre, José Carlos Calazane, Joaquim está com prisão preventiva decretada pela Justiça Federal e responderá por seus crimes no Brasil.
Indigenistas e antropólogos questionam o fato de a PF nunca ter revelado o resultado do inquérito sobre o português. O caso é considerado muito estranho e deixa a todos curiosos em saber o que motiva o português a buscar aquela região.
“O que será que há de tão valioso naquela mata? Não é droga, pois a região é perigosa para circulação. Ele não fala nada, não diz a razão de estar por ali, e não temos ideia de como ele consegue chegar lá. Talvez não haja plantio de coca, pois teríamos avistado ao sobrevoar a região. Rota de droga, quem sabe, mas é um local muito perigoso, muito mesmo”, comentou uma fonte da Funai.
Com informações do Blog do Altino Machado