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“O povo é surdo quando se fala de Rio Acre, nossos filhos vão passar sede”, diz especialista Claudemir Mesquita

Há mais de cinco anos o governo do Estado foi alertado sobre a situação grave da Bacia do Rio Acre e instruído a tomar medidas para evitar o colapso do abastecimento de água na região de Rio Branco. O alerta foi dado no dia 11 de maio de 2011, no relatório final do 1º Encontro Internacional sobre a degradação do Rio Acre realizado pelas Câmaras Municipais de Rio Branco, Assis Brasil, Boca do Acre e Iñapari. O documento, produzido pela Câmara Municipal de Rio Branco, alertava para a necessidade de criação de um Comitê da Bacia do Rio Acre. O aviso foi dado por Maria Antônia de Almeida, representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente no evento que aconteceu em Assis Brasil, na fronteira com o Peru.
A ideia de iniciar um trabalho de mobilização e articulação para a gestão compartilhada da Bacia Rio Acre surgiu de demandas apresentadas pelas comunidades regionais do departamento de Madre de Dios – Peru, do Estado do Acre – Brasil e do Departamento de Pando – Bolívia, denominado Região MAP, em 2002, mas parece que muita coisa não saiu do papel.
O Fórum teve como objetivo principal o fortalecimento das ações coloborativas e da integração regional cujo documento final foi apresentado como recomendação nº 8, “priorizar el plan trinacional de manejo integral de la Cuenca del Rio Acre como punto de partida para la protección de las otras cuencas hidrográficas, curso e cuerpos de agua de la región MAP”, dizia o termo.
O que se observou após a realização desse encontro internacional são sucessivos vexames por parte dos gestores de Rio Branco, ligados a cheias e secas do manancial. Em março de 2015, a maior cheia da história (18m) retirou 9 mil pessoas de suas casas. Já neste verão de 2016, a maior seca (1,49m) pode causar desabastecimento a milhares de pessoas.

O que aconteceu com o Plano de APP na Bacia do Rio Acre?

Estranhamente, embora tenha sido a Câmara Municipal de Rio Branco quem puxou o debate sobre a Bacia do Rio Acre em 2011, na pior seca da história, a Mesa Diretora indeferiu requerimento do vereador Raimundo Vaz (PR) para debater sobre o assunto.
Junto com a ameaça de desabastecimento batendo à porta, nenhum dos órgãos ligados à gestão dos recursos hídricos vem à público esclarecer como andam os relatórios enviados à Câmara Técnica em Brasília que foram aprovados pelo Ministério de Relações Exteriores e que se encontravam em última instância tramitando para aprovação de um Comitê Gestor permanente sobre a Bacia Hidrográfica. Muito menos se fala sobre o Plano de Recuperação de APP da Bacia do Rio Acre, que era uma outra opção de monitoramento das águas.
Falta de aviso não é. O Pesquisador do Parque Zoobotânico da UFAC e Ph.D. em Geoquímica pela Northwestern University (EUA), o professor Foster Rrown,  fez no último final de semana um alerta para o futuro e forneceu importantes informações acerca de uma das piores estiagens que vivemos. Seus estudos abordam o Rio Acre, as mudanças climáticas e bioma Amazônia.
Já um dos maiores estudiosos sobre a causa, o professor Claudemir Mesquita, disse que não avançou em uma vírgula todo o debate e as propostas feitas no Encontro Internacional concluído em 2011. “Pelo menos há cinco décadas vem se alertando sobre o desmatamento e as mudanças climáticas que provocam as cheias e secas do Rio Acre”, disse o estudioso.
Ainda segundo Claudemir, o governo do Acre sabe que desde 2005, que existe um déficit de 80 mil hectares de mata ciliar nas margens do rio. “Não se plantou uma árvore sequer para recuperar isso, não se retirou um único esgoto de suas margens”, acrescentou.
Para Claudemir, situação pior vão passar as futuras gerações. “Nossos filhos vão passar sede e culpar a gente por não ter feito nada”, concluiu.